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Tratamento com células-tronco mesenquimais do cordão umbilical para esclerose múltipla

14 de maio de 2018

Tratamento com células-tronco mesenquimais do cordão umbilical mostrou-se seguro e mostrou melhora clínica e diminuição das lesões cerebrais em pacientes com esclerose múltipla (EM). O estudo foi publicado no Journal of Translational Medicine.

Este resultado é muito importante! Porque embora os tratamentos atuais para esclerose múltipla se mostrem capazes de reduzir progressão da doença, nenhum se mostrou capaz de reparar os danos às células nervosas ou à bainha de mielina, a camada protetora ao redor das fibras nervosas afetada em portadores da doença.

esclerose multipla

Nós já havíamos discutido aqui o caso da atriz Claudia Rodrigues. Que fez um transplante de células-tronco para esclerose múltipla! Mas este tratamento é diferente. Pois trata da infusão de células mesenquimais do cordão umbilical sem necessidade de um transplante de medula completo.

Mas o que é esclerose múltipla? 

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica que compromete o sistema nervoso central e atinge 2,5 milhões de pessoas no mundo – sendo 30 mil no Brasil – em uma proporção de três mulheres para cada homem. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, a faixa de maior incidência é entre 20 e 40 anos.

A doença afeta o sistema imunológico do corpo, que confunde células saudáveis do próprio corpo com células “intrusas”, e as ataca provocando lesões no cérebro. O sistema imune do paciente ataca a bainha de mielina – capa de gordura que envolve as ramificações dos neurônios com o objetivo de protegê-los e facilitar a propagação de estímulos. A bainha de mielina funciona como o plástico isolante que encapa o fio elétrico. Quando danificada, leva à falha na comunicação entre o cérebro, medula espinhal e outras áreas do corpo, em um processo irreversível. Para escrevermos, por exemplo, o cérebro envia um sinal que, por meio do sistema nervoso central, atinge o sistema nervoso periférico e chega à mão, realizando o movimento. Para uma pessoa com esclerose múltipla, que não dispõe da proteção da bainha de mielina, esses estímulos serão dispersos antes mesmo de chegar à mão, impedindo a ação. Com o passar do tempo, a degeneração da mielina provocada pela doença vai causando lesões no cérebro, que podem levar à atrofia ou perda de massa cerebral.

Causas possíveis são herança genética – quando há histórico familiar, o risco cresce de quatro a cinco vezes – e fatores ambientais, como infecções virais, falta de exposição ao sol e tabagismo.

O que são células-tronco mesenquimais mesmo? 

Nosso blog sempre fala sobre células-tronco mesenquimais e é esse o foco da StemCorp . Mas é sempre bom lembrar!

As células-tronco mesenquimais (MSCs) são células-tronco adultas encontradas em vários tecidos, como cordão umbilical, polpa do dente e gordura (VEJA AQUI). Essas células são capazes de dar origem a outros tipos de células como osso, cartilagem, músculo e tecido adiposo. As MSCs podem inibir alterações mediadas pelo sistema imunológico e estão sendo empregadas no tratamento de diversas doenças imunes. E quanto mais jovens maior potencial essas células têm. Por isso as derivadas do tecido cordão umbilical têm uma alta capacidade de crescer e se multiplicar, aumentam a produção de fatores de crescimento e possuem atividade terapêutica superior às outras fontes.

Pesquisadores concluíram o estudo clínico de Fase 1/2 para testar a eficácia e a segurança das MSCs de cordão umbilical para o tratamento da EM. O estudo incluiu 20 pacientes com esclerose múltipla, com uma idade média de 41 anos. Os participantes receberam sete infusões intravenosas de 20×106durante sete dias. A eficácia do tratamento foi avaliada no início, um mês e um ano após o tratamento. Foram avaliadas as lesões cerebrais por ressonância magnética, o grau de incapacidade dos pacientes utilizando como base na Kurtzke Expanded Disability Status Scale (EDSS), bem como testes de função neurológica já validados para esclerose múltipla como função da mão, mobilidade e qualidade de vida.

Os pacientes não relataram nenhum sintoma adverso após o tratamento. Apenas dores de cabeça, que são comuns após infusões de MSC, e fadiga, que é comum em pacientes com EM. A melhora clínica foi mais evidente um mês após o tratamento, sendo significante a melhora no nível de incapacidade, função da mão e tempo médio de caminhada, bem como disfunção da bexiga, intestino e sexual. Os pacientes também relataram melhora na qualidade de vida.

Os dados de ressonância magnética revelaram lesões inativas em 15 dos 18 pacientes avaliados um ano após o tratamento. Em um paciente houve a eliminação completa de todas as lesões no cérebro. Um ano após as injeções ainda era possível observar a melhoria na capacidade de deambulação.

A melhora clínica observada um mês após as injeções e estendida pelo período de um ano mostra que o tratamento é superior ao utilizado atualmente para esclerose múltipla. Os tratamentos disponíveis são semanais e muitas vezes diários.

Nós sabemos que as células-tronco mesenquimais presentes no tecido do cordão umbilical têm um potencial superior às encontradas em outras fontes. Este resultado mostra mais uma vez a importância de armazenar as células-tronco mesenquimais do cordão umbilical no nascimento.

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